quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Homem Transparente - A Viagem - Episódio II

    Somente uma mochila. Esse é todo o mundo que o Homem Transparente agora carrega consigo. Todo o resto foi deixando para trás.
    Provando para si mesmo que não precisa de quase nada do que o acompanhava no passado e dando a verdadeira importância para o seu presente, principalmente tentando ver uma possibilidade de um futuro melhor, de realizações, de reconstruções, ele segue a sua viagem.
    Montado em sua potente motocicleta de 125 cilindradas, que atinge a fantástica e máxima velocidade de 85 quilômetros por hora, com o punho trancado no fundo, acelerador no máximo, ele deita sobre o seu veículo para não ser arremessado pelo vento nas incríveis curvas da serra paulista onde segue para o sul do sul do sul.
    Com fome, o Homem Transparente decide parar no próximo estabelecimento comercial que encontrar para se alimentar, esticar as longas pernas, tentar colocar a finíssima coluna no lugar e descansar um pouco.
    Ainda na estrada, observa um grande número de caminhões estacionados em um posto de combustível e sabendo que a melhor comida servida em beira de estrada é identificada com facilidade pelo simples fato de ter muitos caminhões parados, resolve dar um descanso a sua potente motocicleta.
    Estaciona numa vaga destinada a automóveis e observa que além de combustível, o local ainda conta com restaurante, motel e uma boate, daquelas clássicas de beira de estrada, com uma luzinha vermelha na porta.
    Entra no restaurante, pede um cachorro-quente com muito Ketchup, um refrigerante de cola em um copo de vidro alto com limão e muito gelo e fica observando o ambiente que está razoavelmente cheio.
    Depois de esperar 1 hora e 10 minutos, começando a ficar irritado, já quase desistindo do pedido, um atendente chega com o lanche.
    Voltando a ficar calmo, o Homem Transparente começa a morder o cachorro quente, mas percebe, na primeira mordida, que o cachorro-quente, não está tão quente.
    Observando que o atendente não trouxe a quantidade pedida de ketchup, ergue o dedo para chamar a atenção do rapaz que com visível má vontade, ergue a mão como que dizendo "já vou", com desdém, e demorando alguns minutos, se aproxima.
    Pedindo a porção que gostaria de ketchup, o atendente diz, de forma rude, que será cobrado por porções extras do produto, o Homem Transparente não gosta da atitude do estabelecimento representado neste momento pelo atendente, mas diz que não há problema, pode trazer e pode cobrar.
    Depois de receber a quantidade extra de ketchup, o Homem Transparente pergunta pelo refrigerante e o atendente, com um ar de poucos amigos, irritado, pergunta se o Homem Transparente pode esperar.
    Com todos esses tropeços do atendente, somado a fome, que já o consumia, o Homem Transparente não havia percebido, mas o cachorro-quente que lhe foi servido está sem nenhuma salsicha, um verdadeiro pão com molho, então, imediatamente chama o atendente para reclamar, mas este, já sem paciência e carrancudo, se aproxima sapateando, de forma grosseira, como se marchasse para a guerra, foi ouvir a reclamação trazendo em uma badeja um copo plástico sem gelo e sem nenhum limão, com uma garrafa de refrigerante já aberta e seu liquido, morno.
    O Homem Transparente perde a paciência e se levanta, mas o atendente que mais parece um armário de portas abertas também perde a paciência e pulando o balcão que os separava, parte para cima do Homem Transparente.
    A confusão está formada.
   

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